domingo, 1 de março de 2009

Crianças Invisíveis

O documentário Crianças Invisíveis é uma produção cinematográfica composto por sete curtas-metragens que tem a intenção de abrir os olhos do mundo para a situação das crianças nos quatro cantos do planeta. Com nomes de peso entre os diretores (como John Woo, Spike Lee, Ridley Scott e a brasileira Katia Lund), cada um deles usando suas particularidades e estilo de dramatização, mostram a realidade infantil e a visão delas sobre o mundo.




O primeiro cura, Tanza do diretor argelino Medhi Charef mostra em cenas lentas e com poucos movimentos de câmera e falas, a história de um grupo de meninos da África, que fazem parte de uma guerrilha. Tanza, um garoto de 12 anos é incumbido de colocar uma bomba em uma escola infantil. O medo não parece ser seu aliado, somente o ódio de uma sociedade que o excluiu.

Já o iugoslavo Emir Kusturica em Blue Gypsy aprenseta Uros, interno em uma casa de detenção por roubo e seus últimos momentos antes de sair e sua volta ao convivio da família, com um padrasto alcóolatra e que obriga ele e seus irmãos a continuarem roubando. Composto de cenas menos drámaticas do que Tanza, porém com mais dinamismo, este filme mostra o que a sociedade pode fazer com um ser em desenvolvimento.



Jesus Children of America, do americano Spike Lee mostra a dificuldade e humilhação vivida por Blanca, uma garota de origem pobre e portadora de HIV, filha de pais viciados em drogas e também portadores do vírus.




O quarto filme, Bilu e João de Katia Lind, mostra duas crianças da cidade de São Paulo que são catadoras de papelão e sucatas que vendem para comprar tijolos para a casa que o irmão está construindo e seu sofrimento em manejar o carrinho (alugado para recolher sucatas) em meio ao trânsito da cidade, a violência da rua e o desdém com que são tratadas. Com cenas rápidas e muitos movimentos de câmera, a diretora mostra a difícil realidade destes irmãos, mas que lutam com esperança em ter uma vida melhor.

O último filme, Song Song & Little Cat do chinês John Woo apresenta duas meninas, Song Song de família rica, que tem tudo o que quer, exceto a atenção de seus pais e que vê seu mundo perfeito ruir após a separação deles e a pequena Little Cat, criança que foi abandonada pela mãe ainda bebê e que vive com um senhor que a recolheu, a quem chama carinhosamente de avô. O mais dramático de todos os filmes, com muitos planos fechados, este filme tenta mostrar que não é somente a miséria o problema de muitas crianças.

Difícil dizer qual o melhor. Cada diretor apresentou suas histórias de forma diferente, mas Bilu e João, da brasileira Katia Lund, com toda agilidade e enredo bem humorado, certamente está entre os melhores, seguido de perto pelo chinês Jhon Woo, com suas cenas emotivas que sensibilizam até o mais durão dos espectadores. Em contrapartida está Tanza de Mehdi Charef, por ser demasiadamente cansativo, não pela história em si, mas pela forma e sequencia de cenas em que foi apresentado, deixa um pouco a desejar.

Mas isso é o que menos importa já que a intenção era abrir a cabeça e os olhos do mundo para as situações enfrentadas pelas crianças ao redor do globo terrestre e neste quesito, todos foram brilhantes.

Diana Camargo!!!

1 comentários:

  1. Diana

    Parabens pelo texto, muito bom.
    Uma critica que mostra sua opinia, oferece informacoes, introduz, desenvolve e conclui.
    Muito bem!

    Ariadne

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